Estudos de Palestrantes Espíritas Capixabas - Não Nos Responsabilizamos
Pela Veracidade das Informações. A Responsabilidade é de Quem os Envia, Escreve ou Comenta!

Mostrando postagens com marcador Irmão Tomé. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Irmão Tomé. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 19 de novembro de 2009



José Marcelo Gonçalves Coelho, Medium Atuante na Sociedade de Estudos Espírita Irmão Tomé em Morada de Camburi - Vitória/ES, entre outras muitas atividades...


A ARTE ATRAVÉS DOS SONHOS




As questões 400 à 412, da primeira obra basilar do Espiritismo, nos oferecem interessantes apontamentos acerca deste tão conhecido estado de emancipação da alma denominado sono físico, bem como de seu principal resultado - o sonho. Ressalte-se, inicialmente, que nem todos os sonhos de que nos recordamos representam uma vivência real nos campos da espiritualidade, razão pela qual, assim estatuiu a questão 405 de O Livro dos Espíritos: “...Não deveis esquecer que, durante o sono, a alma está constantemente sob influência da matéria, às vezes mais, às vezes menos, e, conseqüentemente, nunca se liberta completamente das idéias terrenas. Disso resulta que as preocupações enquanto acordados podem dar àquilo que se vê a aparência do que se deseja ou do que se teme. A isso é o que verdadeiramente pode se chamar efeito da imaginação.”

Entretanto, há momentos em que o ser humano se desliga ostensivamente de seu corpo físico, entrando em franca comunicação com o Plano Maior, de lá extraindo elementos preciosos para a concretização de determinados objetivos na Terra. Após esses momentos, poderá, então, ao despertar, lançar idéias inovadoras capazes de levar o progresso aos diversos setores da sociedade planetária. Assim se fará, inclusive, no tocante às manifestações artísticas.

Na obra intitulada Os Mensageiros, capítulo 16, André Luiz, sob psicografia de Francisco Cândido Xavier, nos traz valiosa contribuição para a temática em apreço.


Encontrava-se o autor espiritual em trânsito por determinado posto de socorro, ocasião em que, ao observar amplo salão daquela paragem, assim se expressou: “....Admirado, fixei as paredes, de onde pendiam quadros maravilhosos. Um deles, contudo, impunha-me especial atenção. Era uma tela enorme, representando o martírio de São Dinis, o Apóstolo das Gálias, rudemente supliciado nos primeiros tempos do Cristianismo, segundo meus humildes conhecimentos de História. Intrigado, recordei que vira, na Terra, um quadro absolutamente igual àquele. Não se tratava de um famoso trabalho de Bonnat, célebre pintor francês dos últimos tempos? A cópia do Posto de Socorro, todavia, era muito mais bela.”

Julgou André Luiz que a tela que observara naquela região
espiritual seria uma simples reprodução da existente na
Terra. Diante do seu equívoco, recebeu a seguinte explicação, por ele reproduzida: “Engana-se - elucidou o meu gentil interlocutor - nem todos os quadros, como nem todas as grandes composições artísticas, são originárias da Terra. (...)Temos aqui a história real dessa tela magnífica. Foi idealizada e executada por nobre artista cristão, numa cidade espiritual ligada à França. Em fins do século passado, embora estivesse retido no círculo carnal, o grande pintor de Bayonne visitou essa colônia em noite de excelsa inspiração, que ele, humanamente, poderia classificar de maravilhoso sonho. Desde o minuto em que viu a tela, Florentino Bonnat não descansou enquanto não a reproduziu, palidamente, em desenho que ficou célebre no mundo inteiro”.

Tratava-se, na verdade, do notável pintor francês Leon-Joseph-Florentin Bonnat (1833-1922), que, dotado de aguçada espiritualidade e sensibilidade artística, o que se percebe em todas as suas obras, aproveitou-se de diversas noites de sono para reproduzir, entre nós, a obra em que se inspirara no além. Trabalho verdadeiramente
exaustivo, já que foram necessários mais de dez anos para
sua conclusão (1874-1885). A “cópia” de Bonnat, de grandes dimensões, hoje faz parte do acervo do Panteão de Paris.

Como vemos, nossas noites podem ser perfeitamente aproveitadas para o exercício das mais nobres tarefas. Todavia, infelizmente, conforme nos afirma o instrutor Gúbio, em alerta reproduzido por André Luiz, em sua obra Libertação, pg. 80, psicografia de Chico Xavier, “...a maior porcentagem desses semilibertos do corpo, pela influência natural do sono, permanecem nos círculos de baixa vibração.”

Por fim, no que pesem nossas inclinações negativas, esforcemo-nos, doravante, no sentido de transformarmos as horas de sono em efetivas oportunidades de progresso espiritual, ressaltando-se que os nossos sonhos, conforme se tem comprovado, são os reflexos de nossas mais íntimas aspirações.



Bibliografia: Kardec, Allan; O Livro dos Espíritos, cap. 8, questões 400 à 412.

Luiz, André/Chico Xavier, Os Mensageiros, capítulo 16

Luiz, André/Chico Xavier, Libertação, pg. 80

Anexos: Fotos de Leon Bonnat e sua obra O Martírio de São Dinis

Leon-Joseph-Florentin Bonnat

(1833-1922)

Uma Visão Critica à Respeito do Modelo Educacional Vigente

Uma Visão Critica à Respeito do Modelo Educacional Vigente

Ao longo das últimas décadas a redução dos níveis de analfabetismo no Brasil tem sido expressiva, assim como também muito significativa é a ascensão de um número crescente de indivíduos ao nível superior de escolaridade Todavia, não obstante a extrema importância da escalada quantitativa dos índices de instrução, que denota maior acessibilidade da população às escolas, aos institutos e às academias, o modelo educacional em vigor possui séria fragilidade no que diz respeito à qualidade da formação oferecida. Mesmo restringindo-se o conceito de educação ao aspecto mais específico relacionado à instrução, pois que a assimilação de conteúdos culturais, hábitos e maneiras é um problema bem mais geral e complexo, de modo que a escola atualmente posiciona-se como elemento auxiliar diante da imperiosa e efetiva ação do convívio familiar, no quesito qualidade o padrão de formação profissional em geral não acompanha nem de perto a progressão quantitativa dos números que retratam a escolaridade no país.


É notória a deficiência do ensino fundamental e médio em toda a nação, especialmente nas escolas públicas, que são a possível porta de entrada para maioria da população, diante do elevado valor das mensalidades nos institutos particulares. Curiosamente, no ensino superior a situação se inverte e as escolas públicas suplantam vigorosamente o padrão das escolas particulares. Para que essa inversão ocorra, não há outras razões que a explique senão a existência de uma política de valorização (ainda que deficiente) da formação e do salário do professor, aliada à correlação entre ensino, pesquisa e extensão,
algo que as escolas particulares superiores não efetivam, principalmente por conta do alto custo envolvido. Todavia, esses fatores trazem retorno indiscutível com relação à qualidade docente, e também do ensino ministrado
e das atividades acessórias que completam a formação discente. A ausência de uma valorização similar nas carreiras do magistério das escolas públicas de
ensino médio e fundamental, bem como a falta de infra-estrutura básica em muitas dessas, justifica perfeitamente sua deficiência.


Infelizmente, a cultura brasileira há muitos anos se orienta no campo da instrução pela conquista de um diploma de curso superior, seja pelos status social, pelas regalias que as funções mais intelectivas promovem, seja ainda
por pressões familiares e outros elementos coadjuvantes. Assim, a má formação fundamental do indivíduo passa a ser elemento secundário, pois o que importa de fato é o ingresso às escolas superiores, o que de certa forma é relativamente fácil na atualidade, pois há muitas escolas e carreiras de valor acessível (mais baratos que escolas de nível médio e fundamental).


Por outro lado, o desprezo à formação técnica de nível médio vem de muitos anos e tende ainda a se agravar. Várias escolas técnicas têm sido transformadas ultimamente em escolas de formação superior e claramente uma alteração de seu foco primordial deverá fazer com que o padrão dessas decaia ainda mais.


Novas diretrizes pedagógicas deveriam ser discutidas de modo mais criterioso, sem considerar o acesso à universidade como uma conquista indispensável, pois, formalmente, o título obtido ao cursá-las significaria a introdução do indivíduo na atividade profissional em que se formou. Mas isso sabidamente não ocorre, pois um contingente apreciável se emprega em atividades completamente diversas e não tem alternativa senão nelas continuar. O modelo sócio-econômico atuante claramente não permite essa correlação direta entre título universitário e função correlata no mercado de trabalho.


Além disso, há também a mania de pensar o ensino superior como panacéia, capaz de curar as deficiências na formação básica anterior. Tal imagem deveria ser amplamente revista. Além disso, existem as políticas de privilégio às minorias que não contemplam a necessária qualidade acadêmica. Essas idéias equivocadas tomam enorme força nos dias atuais motivadas por conta de serem simpáticas e arrolarem aspectos políticos discutíveis. Não se pensa com a mesma seriedade em facilitar o acesso irrestrito da população mais carente ao nível superior através de um ensino básico e profissionalizante de efetiva qualidade, corrigindo as deficiências dos níveis fundamentais de ensino. Também não se cogita ou se discute no estabelecimento de um curso superior com formação genérica, uma espécie de bacharelado, capaz de enriquecer os indivíduos com ingredientes educacionais e intelectuais importantes. Ao mesmo tempo em que atuaria como indicativo de maior status ou padrão de escolaridade, tal como a sociedade deseja, desobrigaria os indivíduos de fazerem opções por cursos profissionais que jamais utilizarão na prática. Alguns países do mundo já optam por um modelo assim, onde a formação profissional específica de nível superior quando desejada, se realiza a partir da conquista desse bacharelado, em cursos de duração mais reduzida.